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Líder rural assassinado há 17 anos volta a ser lembrado em Rondon do Pará

28/11/2017

Começa nesta quarta-feira(29) o XVII Seminário de Agricultura Familiar em memória de José Dutra da Costa,o Dezinho.Executor e mandantes estão livres, enquanto a viúva segue ameaçada

Escrito por: Fátima Gonçalves

     Lembrar para não esquecer. Este é o lema seguido pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do município de Rondon do Pará – Sudeste paraense e a 523 quilômetros de Belém - para manter viva a memória de um dos mártires da luta pela terra no Pará. É por isso que sindicato promove a partir desta quarta-feira (29), o XVII Seminário de Agricultura Familiar em Memória de José Dutra da Costa, o Dezinho, assassinado em novembro de 2000, quando era presidente da entidade.

      A esposa de Dezinho, Maria Joel Dias da Costa, está na presidência do sindicato e, por ter assumido a luta pela reforma agrária e também ser testemunha ocular do crime, já sofreu dois atentados e vive ameaçada de morte, tanto que é, até hoje, protegida por policiais. 

     O caso teve repercussão nacional e internacional, sendo, inclusive, levado para a Organização dos Estados Americanos (OEA). As investigações apontaram que Dezinho foi assassinado porque denunciava a prática de trabalho escravo em fazendas da região, além de apoiar famílias sem terra e a desapropriação de latifúndios improdutivos. Mesmo gravemente baleado, Dezinho se agarrou com o pistoleiro, que não teve como fugir e foi preso por populares. 

     Segundo o Ministério Público, o fazendeiro Lourival de Souza Costa, conhecido por “Perrucha” foi um dos mandantes do crime, enquanto o seu capataz Domício Souza Neto providenciou a arma usada no crime. Os dois foram a julgamento em novembro de 2013 e absolvidos porque o júri considerou que não havia provas concretas da participação deles no assassinato.

        O executor do crime foi o pistoleiro Wellington de Jesus, condenado em 2006 a 29 anos de prisão em regime fechado, mas teve progressão da pena em 2007 e, após ser beneficiado por uma saída temporária, não retornou à prisão.

         O outro acusado de ser mandante do assassinato do líder sindical, o fazendeiro Décio José Barroso Nunes, o Delsão, sentou no banco dos réus em 2014, sendo condenado a 12 anos de prisão, mas recorreu da sentença em liberdade e nunca cumpriu pena. Pelo contrário, continuou agindo fora da lei. Em 2013, ele foi acusado de ameaçar de morte o juiz titular da Segunda Vara Federal do Trabalho em Marabá, Jônatas dos Santos Andrade, após ser sentenciado em uma ação trabalhista com a penhora de 18 veículos e cerca 900 cabeças de gado em uma ação trabalhista.

         O XVII Seminário de Agricultura Familiar em Memória de Dezinho prossegue até o dia 30, com muito debate sobre os direitos do povo da floresta e o respeito ao meio ambiente.

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